Qual a diferença entre um pedófilo e um abusador?
21 de Agosto de 2026
RESUMO: O texto fala sobre a diferença conceitual entre um pedófilo e um abusador, bem como alerta para números preocupantes sobre o assunto. Também exemplifica situações comuns onde abusos ocorrem
TRECHINHO: “Claramente, a maioria desses homens não são pedófilos, mas estão em uma outra situação (a meu ver até mais perigosa). Como achamos que o abusador é essa figura alheia à nossa realidade, não percebemos que o perigo pode estar bem próximo da gente. E entender que um leque muito maior de pessoas pode se enquadrar como “abusador” ajuda a gente a abrir os olhos e cuidar melhor das crianças.”
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Esse texto é bem mais sério do que os outros que eu já escrevi aqui. É um assunto assustadoramente necessário, infelizmente. Então, melhor começar.
A gente tende a misturar as coisas, usar os termos como se fossem a mesma coisa, mas não são. Diferencia-los s é importante, porque dessa forma a atuação na proteção da criança melhora.
Pedofilia é um transtorno ligado à sexualidade. A pessoa sente atração sexual por crianças e isso pode ser tratado e controlado, mas não curado. Porém, nem sempre um pedófilo vai se tornar um abusador, e isso é o pulo do gato que muita gente não se atenta.
Um abusador é aquele sujeito que pratica atos sexuais sem consentimento da pessoa envolvida (no nosso caso, uma criança). E ele não necessariamente precisa ser um pedófilo para isso. Parece contraditório, mas não é.
Os fatores determinantes para alguém abusar de uma criança podem ser muitos, dentre eles a pedofilia (enquanto transtorno sexual), mas pode ser também outros como desejo sádico de dominação, vingança, curiosidade e etc. É um assunto muito complexo, mas vamos ao que nos interessa.
Temos o costume de pensar no abusador como um monstro caricato, longe do nosso cotidiano, da nossa família. Os dados mostram algo bastante diferente. Em 2019 o IBGE divulgou que 1 a cada 7 adolescentes já sofreu algum tipo de abuso sexual e que 11% dos casos de violência contra crianças foram de origem sexual. Além disso, por volta de 75% dos abusadores são membros muito próximos da família como pai, padrasto e avô da criança.
Claramente, a maioria desses homens não são pedófilos, mas estão em uma outra situação (a meu ver até mais perigosa). Como achamos que o abusador é essa figura alheia à nossa realidade, não percebemos que o perigo pode estar bem próximo da gente. E entender que um leque muito maior de pessoas pode se enquadrar como “abusador” ajuda a gente a abrir os olhos e cuidar melhor das crianças.
Além do que, como na maior parte dos casos são pessoas próximas e acima de suspeitas, é muito difícil para a criança e o cuidador identificarem e/ou comunicarem a situação. Precisamos urgentemente ter a clareza que esse perigo está em qualquer lugar e é muito mais comum do que imaginamos.
Uma outra coisa que precisamos entender é que o abuso não precisa ser um estupro propriamente dito. Pode ser tirar ou “consumir inapropriadamente” uma foto da criança, toca-la, pedir para que ela faça alguma coisa “simples” (como um beijo na boca escondido) ou que deite numa cama com uma outra criança para o abusador assistir. Não se enganem, a imaginação deles é muito vasta.
Vou tentar dar alguns exemplos de onde podem ocorrer os abusos e pocas pessoas se atentam:
• A criança dormindo sem supervisão adequada numa festa infantil na casa da priminha;
• Com o homem legal do prédio que brinca com as crianças na piscina do condomínio enquanto os pais ficam no celular tendo um “tempinho de paz”;
• O tio da perua escolar;
• No parque onde a criança brinca livremente sem ninguém olhar por ser um ambiente que ela está familiarizada;
• Fotos da criança em redes sociais com poucas roupas, trajes de banho ou vestimentas que adultizam sua imagem.
Quis dizer com isso que qualquer lugar é um potencial lugar propício. Entendem? Minha intensão não é entrar no desespero, mas alertar para algo que existe sim e está muito mais próximo do que gostaríamos.
Com certeza voltarei a escrever aqui sobre prevenção ao abuso sexual infantil, pois acredito que a conscientização sobre assunto nunca é o suficiente.
Um grande abraço e cuidemos das nossas crianças.